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  Sabor de Bolso

Com mais dias passados em casa, torna-se necessário organizar as refeições semanais para que não se andem com sobras ou comida congelada durante muito tempo.

Pelo menos, para mim, isso é importante. Além de que se deve ir variando as refeições ao longo da semana.

Por isso, andei de volta do congelador para gastar o que de mais antigo lá havia. 

E havia umas maravilhosas chouriças caseiras. Deliciosas, mas que têm de ser comidas com muita moderação. Por isso, acabam por durar bastante tempo.

Mas estava na hora de gastar o que faltava delas.

E então, adaptei a receita de risotto para o que tinha cá por casa e não é que saiu um óptimo almoço?


#202 | Risotto de tomate e chouriça

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 2 litros de água ou caldo de legumes
. 1 tomate em cubos
. 70 gr de polpa de tomate
. 1/2 cebola picada
. 1/4 colher de chá de alho em pó (podem usar 1 dente de alho picado - como já tinham acabado, usei do em pó)
. 200 gr de arroz para risotto (arbório, carnaroli, etc)
. 150 ml de vinho tinto
. 1/2 chouriça
. q.b. queijo ralado (de preferência parmesão - eu usei mozzarela porque era o que tinha em casa)
. Sal e pimenta
. Alecrim (usei fresco)
. Azeite
. 1 noz de manteiga (usei sem sal)

Preparação

1. Num tacho, aquecer a água ou caldo de legumes.
2. Noutro tacho, aquecer o azeite e refogar a cebola, tomate e chouriça, até a cebola amolecer e a chouriça largar alguma gordura.
3. Juntar o alho em pó, arroz e polpa de tomate, deixando cozinhar até o arroz ficar translúcido e mexendo sempre. Temperar com sal.
4. Refrescar com o vinho tinto e adicionar o alecrim.
5. Quando o vinho evaporar quase todo, ir juntando conchas de água/caldo até o arroz estar cozinhado, adicionando mais água/caldo sempre que a concha anterior evaporar quase toda, e mexendo sempre.
6. Fora do lume, adicionar a manteiga e o queijo e envolver para derreter bem.
7. Rectificar temperos se necessário.

Que maravilha de almoço.

Com este tempo meio indeciso, ainda sabe bem ter o estômago reconfortado.


Tem um sabor intenso, que conjuga vários níveis de paladares. Começam por sentir o sabor do queijo que usaram. Parmesão há-de ficar excelente, mas como vos disse, o objectivo desta vez era acabar com as sobras dos frios. Daí ter sido com mozzarella. Fica com um sabor mais suave, mas delicioso na mesma.

Depois sentem o agridoce do tomate, que vem dar uma frescura ao prato. Assim como o vinho tinto, que é mais presente que o vinho branco geralmente utilizado. 

E depois o salgado, untuoso e característico sabor da chouriça. Este sabor irá depender do tipo de chouriça que usam.

Há ainda uns toques do alecrim, que pode ser mais ou menos intenso, consoante a quantidade e o vosso gosto.

Para mim, uma combinação perfeita entre todos estes elementos.


O arroz quer-se cozido, mas não empapado. Apesar de ser um arroz que tem bastante goma, não fica tipo betume. Cremoso, diria eu.

Eu gosto dele mais bem cozido, um pouco depois do al dente. Crucifiquem-me os puristas, mas eu gosto assim. Vocês deixam no ponto que mais gostarem, tendo em conta que ele continua a cozer mais uns minutos até ser servido e que não convém esperarem muito para o comer, senão seca e fica mais empapado.


E como é uma receita para aproveitarem as sobras, podem adaptar ao que vocês têm perdido aí por casa. Usem outro tipo de enchido ou charcutaria, juntem legumes, troquem a erva aromática por outra... Enfim, as possibilidades são infinitas.

Usem e abusem desta receita versátil e mostrem-me as vossas iguarias! Podem comentar aqui depois do post, no Facebook ou no Instagram.

São todos bem vindos :)

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E voltamos nós ao mesmo.

Mais um confinamento. Mais uma consequência do típico comportamento de "não quebrar as regras", procurando incessantemente uma forma de as contornar.

E, por isso, como meninos mal comportados que somos, voltámos para casa.

Portanto, volto a virar-me para a parede e a pensar "o que vou fazer durante estes dias"?

E claro, a cozinha é uma das coisas.

Hoje, trago-vos uma receita feita pela minha mãe. Uma experiência que ela própria fez e depois passou-me o testemunho.

A primeira vez que fiz, pensei que estava a fazer mal, até conversar com a minha mãe e perceber que afinal a "tarte" é mesmo assim. Vocês vão perceber o que eu quero dizer.

E tenho a dizer-vos, é muito, muito boa!

#199 | "Tarte" de couve e chouriça


Ingredientes (para 1 "tarte" de +/- 20 cm)

. 1 cebola pequena picada
. 2 dentes de alho picados
. 12 colheres de sopa de farinha de trigo sem fermento
. 1 colher de chá de fermento em pó
. 1 copo pequeno de leite (+/- 200 ml)
. 3 ovos M
. 1/2 couve coração de boi, ralada ou cortada em juliana fina
. 1 chouriça sem pele, cortada em pedaços pequeninos
. Azeite q.b.
. Pimenta preta, orégãos e sal fino q.b.
. Queijo mozzarella ralado (eu não usei - esqueci-me de o pôr)

Preparação

1. Pré-aquecer o forno a 180º.
2. Numa frigideira com um fio de azeite, em lume médio, saltear a cebola, o alho e a couve.
3. Quando a couve amolecer, juntar a chouriça e temperar com sal, pimenta e orégãos (como a chouriça já era bem temperada, não precisei de adicionar sal). Reservar,
4. Untar uma tarteira com manteiga ou desmoldante e pôr papel vegetal na base.
5. Numa taça, misturar a farinha com o fermento, leite e ovos.
6. Colocar a massa na tarteira e verter o preparado de couve e chouriça por cima. Este preparado irá afundar-se um pouco na massa.
7. Colocar o queijo por cima e levar ao forno até dourar por cima.


Como podem ver, de tarte tem pouco :)

Eu, na primeira vez que fiz, achei a massa demasiado mole para ser uma tarte. Estava à espera que fosse uma massa para tender. Então coloquei mais farinha... E a massa continuava mole.

Tive de ligar à minha mãe para perceber porque raio a massa era tão mole e eu não conseguia pôr na tarteira. Foi aí que ela me explicou: Esta massa não é para tender. É mais uma massa tipo bolo.

Aaaah, ok. Assim faz sentido. 

Afinal não é uma tarte. É uma "tarte" :)



Fica uma massa fofinha, mas de sabor mais neutro, pois o "recheio" já tem bastante sabor. Se acharem que precisa de um temperozinho, sintam-se à vontade para temperar como mais gostarem.

Tal como disse na preparação, eu não coloquei sal no "recheio" porque a chouriça era bastante aprimorada, por assim dizer. A gordura e sabor que a chouriça largou na frigideira chegou para dar a quantidade necessária de sal. Vão provando e rectificando à medida que vão fazendo.


Ao cozinhar a couve, não deixem a cebola e alho dourar muito. O intuito é ela amolecer e ficar translúcida, cozinhando mais lentamente. A couve apenas precisa de amolecer um pouco, não é necessário deixar cozinhar muito (como eu deixei...), porque ela termina de cozinhar no forno e não fica muito rija.


Podem substituir a chouriça por outro enchido que vocês gostem, como por exemplo, linguiça ou até farinheira! Humm, farinheira parece-me muito bem...

A mesma coisa para o queijo usado. O mozzarella é um pouco mais neutro que outros queijos e, como já tem o sabor intenso da chouriça, complementa-se bem. Mas facam experiências, não tenham medo! Usem parmesão, queijo da ilha, blue cheese (ui!)... O que vos apetecer! O vosso palato vos dirá o que gosta mais.




Experimentem a fazer esta menina aí por casa e depois digam-me como correu :)

E já sabem. Protejam-se e fiquem em casa.

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As férias estão aí.

Já se notam mais famílias juntas, mais carros a passear, as praias mais cheias... Mas o bicho ainda aí anda.

O desconfinamento está alegadamente controlado, mas julgo que o pior ainda está para vir.

A ver vamos.

Para estes dias de intenso e doloroso calor, trago-vos uma receita que requer forno...

"Quê??" - dizem vocês.

Sim. Forno.

Apenas para tornar a vossa refeição ainda mais perfeita.

Não é durante muito tempo, prometo. E não se irão arrepender!

#193 | Peito de Peru "Recheado"

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 2 peitos de peru
. 2 tomates médios em rodelaa
. 1 bola de mozzarella em rodelas
. 2 rodelas de abacaxi 
. Espinafres congelados
. Salva  
. 1 fio de azeite
. Sal
. Pimenta



Preparação

1. Abrir os peitos de peru, de modo a ficarem mais achatados. Temperar com sal e pimenta.
2. Numa frigideira, aquecer o azeite e corar os peitos de frango, até ficarem douradinhos.
3. Reservar e saltear os espinafres na mesma frigideira, temperando com sal e pimenta.
4. Dispor os rodelas de abacaxi, espinafres salteados, tomate e queijo mozzarella pelos peitos de peru.
5. Rectificar os temperos e dispor a salva.
6. Levar ao forno pré-aquecido a 190º, até o queijo dourar e derreter.

Antes de ir ao forno, é este o aspecto. Já se comia assim, hum?



Depois de ir ao forno, olhem que maravilha.


O queijo derretido dá uma cremosidade espectacular ao prato, ao mesmo tempo que dá um nível extra de sabor, com a suavidade da mozzarella.

O peito de peru, que tem um sabor um pouco neutro, ganha outros paladares muito, muito interessantes, que vão desde o adocicado do abacaxi, o acídico do tomate e a frescura dos espinafres.

Tudo combina até à perfeição, sendo completado este círculo de harmonias com o sabor um pouco mais intenso da salva.

Eu acompanhei com batata doce assada, mas uma salada simples, uns legumes salteados ou ate um arroz basmati branco, ficam aqui a matar.



Uma receita muito simples, que pode ser feita com antecedência, e ultra leve.

Perfeita para estes dias tão quentes e super preguiçosos, a lembrar já as férias :)

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Hoje é dia de descanso.

É dia de aproveitar o dia para repor energias.

E é dia para uma refeição um pouco mais demorada, mais sonolenta, sem pressas.

Daí que tenha voltado a recorrer a nossa querida Filipa Gomes que, desde os tempos de confinamento, me conquistou com uma foto soberba de um entrecosto maravilhoso.

E tão simples que é de fazer! 

Nada de receios, malta. Não custa nada!

#190 | Entrecosto assado

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 1 pedaço de entrecosto de porco
. 2 dentes de alho picados
. 1 colher de sopa de sal grosso
. 2 ramos de alecrim fresco picado
. 2 colheres de sopa de azeite
. Sumo de 1 laranja



Preparação

1. Misturar o alho, alecrim e metade do sal, misturando bem até ficar tipo pasta.
2. Adicionar o azeite e misturar novamente.
3. Barrar o entrecosto na pasta anterior e deixar marinar durante, pelo menos, 2 horas, preferencialmente de um dia para o outro.
4. Pré-aquecer o forno a 150º e assar o entrecosto, com a parte carnuda virada para baixo e tapado com papel de alumínio, durante cerca de 2 horas.
5. Reservar metade do líquido que se formou e regar o entrecosto com o sumo de laranja.
6. Aumentar o forno para 180º, destapar o entrecosto e levar a assar por mais 30 minutos, dependendo da cor que pretendem da carne.
7. Se necessário, regar com o molho que a carne vai formando, virando a carne.
8. Se caramelizar um pouco, raspar o fundo e regar a carne com o líquido reservado, levando novamente ao forno até perfazer os 30 minutos ou até dourar.
9. Nos últimos 10 minutos, virar a carne com a parte carnuda virar para cima para corar.

Olhem o aspecto deste menino. Que vontade de comer, e ainda almocei há pouco!



É preciso alguma paciência para esta refeição, é verdade. Mas garanto-vos que vale a pena.

A carne fica muito tenrinha por assar lentamente no forno, mas ganha o sabor caramelizado dos últimos minutos no forno.

Esta carne pode ter tendência para ficar um pouco seca mas, feita assim, nada disso. Super suculenta, com o sabor adocicado e fresco da laranja e dar-lhe um cheirinho a Verão.



Se deixarem a marinar de um dia para o outro, o sabor fica um nível muito acima do que temperado na hora... A preparação é muito simples, fazem antes de ir para a cama, e no dia seguinte, é só pôr no forno de manhã!

E txanam! Têm um banquete para o almoço! Ainda para mais, amanhã é sábado, têm todo o tempo do mundo.



Eu acompanhei com batatas no forno (será a próxima receita), e uma salada fresquinha de alface do quintal e gomos de laranja.

É uma refeição humilde, simples, mas tão rica em sabor!


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Primeira folga depois do regresso.

Voltar às compras semanais, a olhar para a casa e ver o que é preciso.

Voltar a procurar ideias para este blog que vos adora e não vos quer deixar sem ideias para o almoço/jantar/lanche.

Ainda por cima, saber que há amigos que visitam o teu blog, vêem as vossas receitas e - melhor! - testam e experimentam as vossas receitas... É um quentinho no coração :)

É bom saber que posso fazer um pouquinho de diferença, num amigo, num familiar... Não interessa.

É bom poder contribuir para a vossa felicidade, nem que seja nas refeições :)

Hoje trago-vos uma receita muito versátil e que tem a sua pièce de résistance no molho.

Este molho dá para usar com diversos tipos de proteína, com comida "fresca" ou com sobras... Enfim, uma refeição mais simples como carne com arroz é elevada a outro nível com esta maravilha.

#187 | Bifinhos do cachaço com molho de estragão

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 1 colher de café de vinagre balsâmico
. 100 gr de maionese
. 1 colher de sopa de mostarda de estragão
. Estragão fresco (opcional)
. 4 bifinhos do cachaço de porco
. 1 fio de azeite ou óleo
. Sumo de 1 limão
. Sal
. Pimenta preta

Preparação

1. Misturar a maionese com a mostarda, vinagre balsâmico e estragão (se usarem). Reservar.
2. Aquecer o óleo ou azeite numa frigideira larga.
3. Temperar os bifinhos com sal, pimenta e sumo de limão e cozinhar na frigideira durante 3 a 4 minutos de cada lado, ou até estarem dourados por fora e rosa no seu interior.

O bifinho está tão bonito, não está?

Tem uma cor dourada muito bonita, que lembra o caramelo. Apetece já comer e ainda só estamos na hora do pequeno-almoço!



E o molho barrado por cima, ainda com o bifinho quente, parece que derrete um pouco. Que riqueza!


O sabor do bifinho é relativamente suave, lembra muito as costeletas de cachaço, mas para mim é um pouco mais suave. A sua carne é um pouquinho mais seca, pois tem menos gordura e não tem osso. O osso também ajuda a dar sabor e suculência à carne.

Daí que não a devam cozinhar demasiado. A carne de porco quer-se bem cozinhada, mas não demasiado passada. Rosa pálido é a cor que devem procurar na carne por dentro, nada de vermelho (mal passado), nada de completamente branco (demasiado passado).


Esta foi a mostarda de estragão que usei. Vinda directamente de Reims (França). O seu sabor em nada tem a ver com a mostarda dita comum. Para mim, não é tão intensa, mas tem um sabor meio acídico, talvez devido à presença do estragão.

Pode não ser fácil encontrar por cá. Talvez nas zonas de comida internacional ou gourmet exista coisa do género. Se não encontrarem, não é drama nenhum. Usem mostarda dijon, por exemplo, e adicionem estragão picado.

A receita pede estragão extra, para o caso de quererem que se note mais. Eu não tinha em casa e já acho que a mostarda tinha bastante sabor.


O molho (que é mais uma pasta) fica bastante intenso, com a presença do sabor mais "untuoso" da maionese (percebem o que quero dizer?), a ser balanceado pelo acídico da mostarda e do vinagre balsâmico. 

O vinagre vai-lhe dar um toque mais fresco, que vai conjugar muito bem também com o sabor da carne, para cortar um pouco.

Eu não testei, mas diria que um bom vinagre de frutas (por exemplo, framboesa!) também deverá ser uma ótima adição a este molho.



 Nós acompanhámos os bifinhos com arroz branco, soltinho e cozidinho. Eu sei que se quer al dente, mas eu sou esquisita com o arroz e gosto dele bem cozido. A salada mista não faltou na mesa, para termos uma refeição ainda mais nutritiva e saborosa.

Este molho pode acompanhar outros cortes de carne de porco, desde que não tenham muita gordura, para o sabor não ficar muito enjoativo.

Um bom bife de carne de vaca também poderá ser o melhor amigo deste molho.

Além disso, este molho conserva-se bem 2 a 3 dias no frigorífico, pelo que o podem já ter feito e tudo! 

E ainda mais! Sobras de carne? Basta misturar com o molho e voilá, umas sobras deliciosas e diferentes!

Não há desculpas para não experimentar isto já hoje! Todas as opções são válidas. Eu deixo :)

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Começou mais uma semana. Com uma das tempestades mais estranhas que já vi.

A semana passada foi muito quente. Suor de manhã à noite. Ontem, de repente, cai chuva, granizo como eu nunca tinha visto (onde cresci, nunca me lembro de tais pedregulhos) e trovoada com fartura.

Felizmente, não nos estragou grande coisa a nível de agricultura, mas os patudos cá de casa não andavam muito confortáveis.

À conta disso, o passeio higiénico foi adiado e acabou por ainda não se fazer.

Hoje foi dia de trabalho normal para o A. e eu estou em preparações para retomar ao trabalho.

Por isso, hoje saiu uma receita um pouco mais simples mas que faz um vistaço para quem vê de fora.

Além disso, é feita com aproveitamentos de carna já confeccionada, o que a torna super económica e versátil.

#184 | Wraps de couve com frango e manga

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 2 peitos de frango cozidos e cortado em pedaços pequenos
. 250 gr de manga descascada e cortada em pedaços
. 1 dente de alho picado
. 65 ml de leite de coco
. 1 colher de sopa de mel
. 1 colher de sopa de molho de soja
. 2 a 3 colheres de sopa de azeite
. 4 a 6 folhas de couve branca
. Sumo de 1 lima
. Sal
. Pimenta preta

Preparação

1. Num processador de alimentos, triturar 1/3 do peito de frango com o molho de soja, leite de coco, alho, sal, pimenta e sumo de lima, até ficar uma pasta.
2. Adicionar os 2/3 restantes do peito de frango e pulsar no processador, só para misturar e não para triturar completamente.
3. Juntar a manga e o azeite e pulsar 1 a 2 segundos apenas.
4. Temperar com sal e pimenta.
5. Colocar as folhas de couve no microondas em potência máxima, durante cerca de 30 segundos, para amolecerem.
6. Dividir o recheio de frango pelas folhas de couve e enrolar, dobrando as pontas para baixo.

A Operação Bikini no Pátio ainda está de pé e a semana passada foi um pouco louca em termos de coisas mais calóricas. Por isso, hoje trouxe-vos uma refeilão mais ligeira.



São sabores super frescos e leves, ideais para o Verão que se avizinha.

O sabor suave do frango conjuga-se muito bem com a doçura da manga e do coco, companheiros inseparáveis em termos de sabor.

A soja dá um toque mais salgado à refeição, pelo que tenham isso em atenção quando temperarem.

Podem ainda adicionar mais sabores, como gengibre ralado ou em pó, erva-príncipe, salsa, orégãos... O que vocês gostarem mais e tenham em casa.

Eu optei por deixar mais simples, evidenciando mais os sabores dos ingredientes principais.

A textura do recheio é quase como um paté, já que triturei bem o primeiro terço do frango. No entanto, se gostarem de sentir mais os pedaços de cada alimento, simplesmente triturem menos!



E deixem-me dizer-vos que fica muito, muito bom.

Eu, pessoalmente, como bem 2 a 3 (ou mais) wraps destes numa refeição principal. Quase que se nem dá por ela. Posso acompanhar com uma salada de alface com framboesas ou morangos, por exemplo, mas neste caso nem comi com mais nada.

E fiquei satisfeita, oh se fiquei.



Podem ainda servir em doses mais pequenas, como uma entrada de um daqueles almoços de domingo, em pleno verão, com a churrasqueira a bombar e as minis no gelo.

E olhem que eles desaparecem depressa! 


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Dia 67  (20 de Maio de 2020).

Finalmente, outro dia jeitoso de Verão.

Dia de lavar roupa e loiça, dia de ir apanhar um pouco de ar.

E dia, claro, de cozinha.

Uma das coisas boas de viver numa aldeia é que muita coisa é criada em casa.

Eu comecei com o quintal. Vamos ver quanto tempo dura.

Mas não sou capaz de criar bicharocos para consumo próprio. Rapidamente me afeiçoaria a qualquer um deles e acabaria com a casa a abarrotar de galinhas.

Por isso, apesar de a carne ser muito melhor, não serei pessoa para ter animais para comer. Lamento, não dá. Tudo o que é animal cá em casa, é de estimação.

Mas tenho pais e sogros que criam animais e, de tempos a tempos, vamos tendo alguma carne caseira para irmos comendo e poupando uns trocos.

Desta vez, chegaram cá a casa peitos de pato. Mas quantas pessoas se podem ao luxo de dizer isto? Peitos de pato caseiros. Magret. De. Pato.

Só posso estar agradecida.

Por isso, dei-lhes a devida homenagem e foram um belo almoço. Não estive a inventar muito, mantive o tradicional pato com laranja, combinação bombástica. E acompanhei com espargos e arrozinho.

Bem bom!


#178 | Magret de Pato com Espargos

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 2 peitos de pato
. 10 gr de manteiga
. 1 colher de sopa de açúcar granulado branco
. Sumo de 1/2 laranja
. 12 espargos verdes frescos (ou mais, consoante o que vocês gostam de comer)
. Arroz para servir (eu fiz arroz de cenoura)
. Sal
. Pimenta preta


Preparação

1. Temperar os peitos com sal e pimenta. Pré-aquecer o forno a 180º.
2. Aquecer água com sal.
3. Aquecer bem uma frigideria anti-aderente. Como o pato tem gordura por baixo da pele, não é necessária qualquer gordura. Mas, se virem que tem pouca gordura, ponham 1 noz de manteiga.
4. Com a pele virada para baixo, selar os peitos de pato até a pele dourar.
5. Virar o pato e deixar corar. Reservar a gordura do pato.
6. Levar ao forno cerca de 7 a 8 minutos, consoante o tamanho dos peitos (estes peitos demoraram 9 minutos, mas eram grandes).
7. Quando a água ferver, adicionar os espargos e deixar cozer cerca de 5 a 7 minutos, até ficarem mais tenros mas mantiverem a cor.
8. Retirar os espargos do lume e colocar em água com gelo ou água bem fria, para parar a cozedura.
9. Na mesma frigideira que se selou o pato, com a gordura, adicionar o sumo de laranja e o açúcar.
10. Deixar caramelizar um pouco e adicionar a manteiga, mexendo até ficar homogéneo, sem deixar talhar.
11. Servir de imediato para a pele do pato estar crocante.

E claro, a combinação não podia falhar.

A pele crocante do pato dá uma textura crunch crunch, desde que servida de imediato porque, com o tempo, ela começa a amolecer.



Os espargos deverão estar tenros, mas continuar ligeiramente crocantes e bem verdinhos. É sinal que não cozeram demais nem perderam os seus nutrientes ao cozer.

A carne do pato tem um sabor muito característico. Para mim, é ligeiramente doce e um pouco intensa (então caseiro, mais intensa é). Só provando é que se percebe o que quero dizer.

Daí que a laranja, apesar de doce, dêem um toque de acidez e frescura a esta carne mais rica em sabor. A manteiga torna o molho mais suave e sedoso. No entanto, se não quiserem usar a manteiga, estão à vontade. Fica um molho um pouco mais líquido, mas também mais "saudável".

Eu gosto de pôr uma quantidade um pouco generosa na pele, seja de que carne for. Gosto que ela tenha um ligeiro toque salgado. E vai ligar muito bem com a doçura do molho.



Os espargos cortam um pouco a doçura, já que são um pouco mais "ácidos", dentro dos vegetais, claro. Mas ligam muito bem com o pato.

A carne do pato quer-se mal passado. Lamento, pessoal adepto do bem passado, mas o pato diz-se que se quer mal passado. Confesso que nunca comi completamente passado, por isso não vos posso dizer propriamente a diferença, mas o que notei quando comi um pouco mais passado foi que a carne fica mais rija e custa a comer.



Nós acompanhámos com arroz de cenoura, mas podem servir apenas com legumes salteados ou assados, com uma salada mista ou até quinoa com tomilho. Acreditem, funciona muito bem.

É um clássico infalível, o pato com laranja. Mas podemos dar-lhe um toque nosso, nem que seja no acompanhamento, por exemplo.

Eu sei que não é uma carne propriamente económica, mas porque não para uma ocasião mais especial ou numa de provar?

Eu diria que vocês vão gostar :)

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Dia 60  (13 de Maio de 2020).

Hoje foi dia de descanso do exercício. Quarta-feira é sagrada.

Como tem estado a chover, também não dá para fazer caminhadas nem nada no quintal.

Portanto, fui para a cozinha.

Fazer um bolo, uma sobremesa, o almoço... Dá para passar o dia todo na cozinha e o tempo não chega.

Hoje foi dia de experimentar uma coisa muito comum.

Comer fiambre como proteína principal e, ainda por cima, cozinhada em... Coca-cola.

Sim, leram bem. Coca-cola.

Foi a Nigella Lawson que me deu a ideia.

À partida, a comboinação é demasiado estranha.

Mas, como eu gosto de coisas agridoces e de contrastes de sabores, dei-lhe uma hipótese. Afinal, ela é A Nigela, certo?

#175 | Fiambre com Coca-Cola (adaptada da receita da Nigella Lawson)

Ingredientes (para 4 pessoas que comem bem)

. 800 gr - 1 kg de fiambre (o ideial é que seja uma peça única - no meu caso, foi do fatiado porque, no supermercado a que fui, não tinha atendimento pessoal na zona de charcutaria e tive de me cingir ao que havia)
. 1/2 cebola descascada e cortada ao meio
. Coca-cola em quantidade para cobrir a peça de fiambre (Não pode ser da Zero, tem de ser da normal mesmo, pois o açúcar irá ajudar a caramelizar)
. 3 cabeças de cravinho
. 1 colher de sopa de caramelo (eu fiz caramelo seco - devem poder usar do de compra, mas eu nunca testei)
. 1 colher de sopa de mostarda
. 2 colheres de sopa de açúcar demerara


Preparação

1. Se a peça de fiambre que compraram for muito salgada, fervam-na uns minutos em água abundante e depois coem-na.
2. Numa panela, colocar o fiambre, a cebola e a coca-cola, e levar a lume médio até ferver.
3. Reduzir o lume e, com a panela quase tapada, deixar cozinhar cerca de 1 hora (se usarem menos quantidade, a Nigella aconselha a deixar cozinhar 1 hora por cada kg que a peça tenha).
4. Pré-aquecer o forno a 240º e forrar um tabuleiro com folha de alumínio.
5. Retirar o fiambre da panela e deixar arrefecer até ser possível pegar-lhe.
6. Retirar a pele (se tiver), deixando uma pequena camada de gordura.
7. Com uma faca afiada, fazer pequenos cortes na diagonal, para os 2 sentidos, criando losangos.
8. Colocar o cravinho nalguns intervalos dos losangos.
9. Misturar o caramelo com a mostarda e barrar o fiambre com a mistura.
10. Polvilhar o açúcar por cima, fazendo um pouco de pressão para que o açúcar fique bem entranhado na mistura.
11. Deixar assar cerca de 10 minutos ou até o glaceado estar dourado escuro e a borbulhar.

Como diria Pessoa, primeiro estranha-se e depois entranha-se.

Fica um prato bastante interessante.



O fiambre é ligeiramente salgado e, com a cobertura de caramelo, ganha um novo nível de sabor.

Além de ficar salgadinho e docinho, tem também tons de caramelo por ter ido ao forno.



Tenham cuidado para não comer nenhuma cabeça de cravinho. Dá algum sabor ao fiambre, mas não convém comer, ou tudo vos vai saber a cravinho.

A mostarda fica suave no fiambre, mas notam-se alguns tons. Se quiserem e gostarem, podem usar um pouco mais.



Eu deixei o meu fiambre tostar um pouco mais, porque eu gosto das coisas tostadinhas. Mas o tom de dourado fica ao critério do vosso gosto.

Podem cozer o fiambre com antecedência e levá-lo ao forno apenas na hora da refeição, tendo em atenção que demorará um pouco mais no forno, já que arrefeceu totalmente. Dêem-lhe mais 5 minutos no forno e depois vão vigiando até chegar ao ponto douradinho, pois vai depender do forno e do vosso gosto.

Eu acompanhei esta proteína com rosti de batata, mas essa receita fica para amanhã.



Não tenham medo de experimentar coisas que nunca provaram e que, à partida, parecem improváveis.

Não só assim ficam a saber se gostam ou não, mas também descobrem novos sabores e combinações que vos podem inspirar para aventuras culinárias posteriores! :)

Sabor de Bolso
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Dia 54 (7 de Maio de 2020).

Será que foi desta que o bom tempo veio para ficar?

Pôr os casacos de lado e voltar a pôr os vestidos no roupeiro.

Assim, uma pessoa até anda mais animada.

Foi dia de ir com a Kinder à veterinária para a vacina anual. As regras estão a ser escrupulosamente cumpridas e, como sempre, fomos muito bem atendidas.

De volta a casa, estou aqui a falar-vos do dia de hoje.

Foi dia de finalmente se colocarem as prateleiras no quarto e dar mais um toque de decoração.

E foiu aí que reencontrei livros de receitas que já não via há muito tempo, já que estavam fechados desde as mudanças.

E encontrei lá a nossa querida Nigella e o seu livro "Delícias da Nigella".

Aquela senhora tem muito boas ideias e sempre para serem feitas o mais descontraídamente possível.

Fui lá buscar a receita de frango frito à "americana". Está entre aspas porque, tal como a Nigella diz, geralmente usa-se buttermilk para cozinhar o frango e, aqui, vamos usar apenas o leite.

Além disso, a Nigella tem sempre óptimas dicas para nos facilitar o tempo na cozinha.

Como há o risco de o frango não ficar cozinhado se for frito em cru, ela aconselha a cozer primeiro.

E funciona, garanto que funciona.

Eu adaptei as quantidades da receita porque nós somos um glutões e comemos um pouco mais do que a receita.

#171 | Frango frito à "Americana"

Ingredientes (para 2 pessoas que comem bem)

. 2 coxas, 2 pernas e 2 asas de frango
. 650 ml de leite
. 200 gr de farinha de trigo sem fermento
. 1 colher de sopa + 1 colher de chá de sal
. 1 colher de chá de pimenta preta
. 2 ovos batidos
. Óleo para fritar


Preparação

1. Em lume médio, aquecer o leite com a colher de sopa de sal e a pimenta.
2. Quando ferver, juntar o frango e, em lume médio-baixo, deixar cozinhar bem o frango (o tempo vai depender do tamanho das peças).
3. Retirar o frango e deixar arrefecer ligeiramente.
4. Num prato, dispor a farinha com o sal e pimenta, e noutro, o ovo batido.
5. Passar o frango primeiro pela farinha, depois pelo ovo, e novamente pela farinha.
6. Deixar secar numa grelha durante cerca de 15 minutos.
7. Aquecer bem o óleo e fritar até ficar dourado e com a pele estaladiça.

O frango fica tão bonito não fica?



Não tenham medo de aquecer o óleo. Quanto mais quente estiver (dentro dos limites, claro), menos gordura o frango irá absorver.

O sabor do frango será mais ou menos intenso, quanto mais temperos usarem.

Eu recomendo usarem também um pouco de paprika ou pimentão doce na farinha, para dar um toque mais picante ao frango.

E umas ervas, como tomilho ou salva, também ficará muito bem.

Ao mesmo tempo que têm uma pele estaladiça e ligeiramente caramelizada, tem um interior tenro, suculento e delicioso, sem correr o risco de estar mal passado.



O acompanhamento são vocês que escolhem. Nós comemos com uma salada de tomate e alface e fiz molho agridoce para dar mais um toque de sabor ao frango, que fica tão, mas tão bom...

É um excelente prato para comer tanto quente como frio e, aproveitando este bom tempo e cumprindo as regras de higiene, é um soberbo prato para levar em piquenique isolado.

Além disso, podem ainda cozer o frango com antecedência e só o fritar na hora de servir.



Com tantas vantagens, nós até nos esquecemos do pormenor de ele ser frito :)

Um dia não são dias, não é, pessoal?

E hoje é o dia :)

Sabor de Bolso
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Dia 51 (4 de Maio de 2020).

Mais um fim de semana se passou. E este domingo foi Dia da Mãe.

Na impossibilidade de nos deslocarmos para fora do concelho, a prenda foi entregue mais cedo.

Um dos testes que estive a fazer foi testes de massas e recheios de bolo. E foram um sucesso.

Mais uma experiência ganha, mais prática desenvolvida.


Aqui está o menino. Deu-me muito gozo fazê-lo, e acho que ficou bonito e a ilustrar bem o dia solarengo e feliz que foi.

Aparte das experiências na pastelaria, também se experimentam receitas na cozinha para o almoço ou jantar.

Desta vez, com umas sobras de bifes de porco e de legumes congelados.

E saiu um belíssimo prato de inspiração oriental. Sticky e agridoce como deve ser :)


#168 | Sticky Porco agridoce com noodles


Ingredientes (para 2 pessoas)

. 1/2 chávena de sumo de ananás
. 1/3 chávena de molho de soja
. 1/3 chávena de caldo de galinha (ou água, se não tiverem)
. 1/2 chávena de açúcar amarelo
. 1 dente de alho picado
. 2 colheres de chá de amido de milho
. 1 colher de sopa de azeite
. 3 bifinhos de porco (eram pequeninos e finos) cortados em tiras
. 3 rodelas de ananás em cubos
. 6 floretes de brócolos (usei congelados)
. 1 mão cheia de legumes para saltear congelados (mas coloquem a quantidade ao vosso gosto)
. Sementes de sésamo
. Sal
. Pimenta preta

Preparação

1. Num tacho, misturar o sumo de ananás, molho de soja, caldo ou água, açúcar, alho e amido.
2. Levar a lume médio até ferver e engrossar, parecendo um xarope grosso, mexendo sempre, pois tem tendência a agarrar.
3. Num wok ou frigideira larga, aquecer o azeite em lume médio-alto.
4. Adicionar os bifes de porco, brócolos e legumes e temperar com sal e pimenta.
5. Cozinhar, mexendo sempre, até começar a dourar.
6. Escoar os possíveis líquidos que se tenham formado no wok e juntar o molho de sumo de ananás, mexendo.
7. Juntar o ananás e as sementes de sésamo, deixando cozinhar cerca de 1 minuto, mexendo.
8. Servir com noodles.

Eu adoro pratos agridoces. Adoro a combinação do doce cortada pelo kick do ácido na boca, em conjugação com o salgado. Combinação perfeita para mim.



Este molho fica muito semelhante ao que se costuma encontrar nos restaurantes chineses, por isso já sabem ;)

Dá um brilho espectacular ao prato e, por ser espesso, dá-lhe um aspecto quase de geleia, de compota... Eu sei lá. Só sei que é perfeito.



Adoro a doçura e acidez do ananás a balançar com o salgado o molho de soja, com o sabor mais suave do porco e dos brócolos.

O prato é uma diversidade de texturas, que vai desde a tenra carne e ananás até ao crocante dos legumes salteados e das sementes de sésamo.

É dos meus tipos de prato.

Pouca loiça para lavar, poucos passos para seguir, rápida, fácil e com muitos, muitos níveis de sabor.

Além disso, olhem-me o aspecto do prato. Ficam logo a salivar, não? :)



Força nisso e tragam um cheirinho da China até vossa casa. Já que não podemos viajar, podemos criar memórias pela comida :)

Sabor de Bolso
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Dia 41 (24 de Abril de 2020).

Hoje foi dia de esticar as pernas. Uma caminhada para aproveitar o sol e ir comprar legumes ao mini mercado da aldeia.

A deliciosa sopa de grão do jantar acabou e hoje sai outra sopa.

Em breve, coloco a receita aqui para vocês fazerem também.

Hoje foi dia de voltar à despensa e congelador.

Uma receita de conservas que 80% de nós temos aí por casa e, muitas vezes, acabam esquecidas.

Com esta fase de cortes nos salários e falta de trabalho, também são necessários pratos que sejam mais económicos mas, ao mesmo tempo, saciantes e saborosos.

Daí que traga um prato tradicional: Ervilhada.

Mas, desta vez, a aproveitar as latas de salsichas perdidas aí na despensa. Normalmente, usa-se chouriço ou presunto. Mas são alimentos um pouco mais caros que as salsichas e, com elas, sai um prato igualmente saboroso.

#161 | Ervilhada de salsichas e ovos escalfados

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 600 gr de ervilhas congeladas
. 1 lata de 8 salsichas em rodelas
. 50 gr de bacon (opcional - eu usei porque tinha lá para gastar)
. 2 ovos
. 2 folhas de louro seco
. 150 ml de polpa de tomate (se tiverem tomate pelado, usem 2 tomates pelados e 2 colheres de sopa de polpa de tomate)
. 1 dente de alho picado
. 1/2 cebola média picada
. Sal
. Pimenta preta
. Azeite
. Água

Preparação

1. Em lume médio, aquecer um fio de azeite e refogar a cebola, alho, bacon (se usarem) e o louro, sem dourar.
2. Adicionar as salsichas e deixar ganhar um pouco de cor.
3. Juntar a polpa de tomate e mexer.
4. Adicionar as ervilhas e água até quase cobrir as ervilhas.
5. Deixar cozinhar até as ervilhas ficarem mais tenras (6 a 7 minutos), juntando um pouco de água, se for necessário.
6. Partir os ovos para uma taça e, cuidadosamente, colocar o ovo no tacho, deixando cozinhar mais 5 a 6 minutos, de modo a que a clara coza, mas a gema fique líquida.

E está feito!

Um prato cheio de cor, texturas e muito, muito sabor.



Convém que o prato tenha algum molho, para que o ovo tenha líquido onde cozer.

Além disso, não façam como eu e não se distraiam com os ovos a cozer. eles são matreiros, malta.



As salsichas não precisam de muita cozedura, mas eu gosto de as refogar um pouco para ganharem sabor e caramelizarem um pouco à volta.



As ervilhas tenras, mas com textura. Não queremos cá ervilhas todas pisadas e molengas. Textura é fixe!



Eu acompanhei com massa couscous, que tinha cá em casa para gastar. Mas acompanhado com pãozinho ou uns croutons (para limpar o prato, claro!), é um excelente almoço simples, mas muito bom.

E, além disso, não nos faz ter que doar um rim para o fazer :)


Sabor de Bolso
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Dia 37 (20 de Abril de 2020).

A sério. Isto não dá para perceber.

Hoje, volta a chover com fartura. Nem os patudos se devem aperceber da coisa. Eles, que batem à porta para entrar, hoje decidiram que era giro ficarem a olhar para a porta, a apanhar uma molha.

Calhou ir lá ver se não estariam do outro lado. Não estavam.

De resto, hoje foi dia de exercício, por muita pouca vontade que seja.

E este parece ser um daqueles dias que quase nem cozinhar apetece.

E, por isso, trago-vos uma receita de sobras.

Sobrou-vos carne da refeição de ontem? Podem fazer uma excelente feijoada de sobras.


#157 | Feijoada de sobras

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 1 cebola pequena picada
. 1 dente de alho picado
. 2 folhas de louro seco
. 1 lata de feijão preto cozido, lavado e escorrido
. 300 gr de sobras de carne cozida em pedaços (usei pato desfiado)
. 1/2 chouriça cozida em rodelas
. 50 gr de bacon cozido, em cubinhos
. 1/2 cenoura cozida em rodelas
. 1/2 chávena de caldo de carne
. Azeite
, Sal
. Pimenta preta
. 1/2 chávena de arroz agulha
. 1 chavéna de água

Preparação

1. Num tacho, fritar o arroz num fio de azeite até ficar translúcido.
2. Adicionar a água, temperar com sal e tapar, deixando cozer, no mínimo, até a água ter evaporado e ter começado a fazer furinhos no arroz. Desligar o lume e deixar terminar de cozer tapado, com o vapor.
3. Noutro tacho, refogar a cebola com o alho num fio de azeite e com o louro, até ficar translúcida.
4. Adicionar a carne, bacon e a chouriça e deixar cozinhar 2 minutos, para libertar o sabor.
5. Adicionar o feijão e o caldo de carne e deixar cozinhar até o caldo ter reduzido para 1/3 (cerca de 5 a 7 minutos).
6. Juntar a cenoura e rectificar os temperos.

Este prato é muito rápido de fazer. Demora apenas o tempo de cozinhar o arroz.


Como a carne e o feijão já estão cozidos, é tempo que se ganha na cozinha.

O ideal é que tenham caldo de carne caseiro mas, se não tiverem, usem água e rectifiquem os temperos no fim.


Eu adoro feijoada com arroz agulha, que depois absorve o molho que a feijoada tem... Hum, tão bom!

O que este prato tem de bom é que vocês podem usar a carne, charcutaria, ou feijão que quiserem, desde que já esteja cozido.


Com feijão manteiga, porco e bacon, também fica qualquer coisa.

Por isso, aqui têm uma receita para aqueles dias em que nao vos apetece cozinhar nada de extraordinário ou não querem ter muito trabalho na cozinha.

Nós também merecemos um dia assim, de vez em quando :) 

Sabor de Bolso


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Dia 35 (18 de Abril de 2020).

Finalmente, um dia de sol. Um dia para pôr a roupa lá fora a secar e arejar.

Um dia para pos patudos estarem deitadinhos no pátio a trabalhar para o bronze.

E dia de descansar do exercício.

Foi um dia mais calmo, a fazer tarefas em casa. A tocar.

E, claro, a cozinhar.

Nesta fase, passo mais tempo a deambular nas redes sociais. Não sou muito disso mas, para vos trazer aqui o que trago, também é necessário pesquisar.

E uma das minhas escolhas é, geralmente, a Filipa Gomes.

Gosto do estilo dela, tanto de visual como de maneira de estar. Super descontraída. Assim, sim.

Já vos mostrei o fantástico Bolo de Ananás que ela postou no seu Instagram.

E hoje trago-vos o seu maravilhoso Arroz de frango com farinheira.

Mas eu fiz com pato, que a D. A. carinhosamente me deu.

#155 | Arroz de pato com farinheira

Ingredientes (para 4 pessoas - provavelmente sobra!)

. 1 pato
. 1 farinheira (usei de Arganil - claro!!)
. 1/2 chouriça
. 1 cebola
. 1 caneca de arroz agulha
. 100 gr de bacon
. 1 cenoura em rodelas


Preparação

1. Cozer o pato, farinheira, chouriça, bacon e cenoura. Reservar o caldo e deixar arrefecer.
2. Num tacho, refogar a cebola num pouco da gordura do pato (se não tiverem, usem azeite).
3. Juntar o arroz e mexer enquanto frita um pouco e fica translúcido.
4. Juntar 2 canecas da água de cozer o pato e a farinheira desfeita, mexendo.
5. Deixar cozer o arroz e, entretanto, desfiar o pato, cortar a chouriça em pedaços e rodelas e o bacon em cubinhos. Reservar.
6. Pré-aquecer o forno a 250º.
7. Quando o arroz estiver cozido, misturar a carne desfiada, pedaços de chouriço e de bacon.
8. Num tabuleiro de ir ao forno, colocar o arroz de modo a ocupar o tabuleiro todo.
9. Alisar por cima e dispor as rodelas de chouriço e de cenoura (eu pus também um bocadinho de bacon).
10. Levar ao forno até dourar por cima.



Esta menina só tem ideias espectaculares.

Já fiz arroz de pato várias vezes, mas nunca tinha juntado farinheira ao arroz.

E, digo-vos, fica qualquer coisa de bom.



Sente-se a superfície crocante de ter ido ao forno a constrastar com o arroz mais cremoso por baixo.

O sabor caramelizado do topo contrasta com o sabor mais suave do arroz "de baixo".

A cenoura não tem tanto destaque neste prato, mas confere um pequeno toquezinho de doçura, para cortar a untuosidade do prato.



Eu não coloquei qualquer sal no arroz, porque o próprio caldo do pato já tinha sabor que chegue.

Além disso, tanto os enchidos como bacon e pato conferem o sabor necessário ao arroz.

Mas olhem bem para isto, que aspecto!



Eu adoro o bacon mais tostadinho, como este. Fica um pouco mais salgado, mas fica tão bom.

Uma excelente ideia é, ainda, colocarem queijo ralado por cima, antes de ir ao forno. Fica um nível acima de qualquer coisa de soberbo.

Eu não pus porque não tinha cá em casa.

Este prato pode ser preparado com antecedência e depois é só levar ao forno na hora de servir. Além disso, tal como na receita original, podem usar frango em vez de pato. É mais económico e fica delicioso à mesma.

Não sabem o que fazer para logo ao jantar ou amanhã ao almoço? Aqui têm a vossa solução!
Sabor de Bolso
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Dia 30 (13 de Abril de 2020).

1 mês de confinamento.

Isto são tempos estranhos.

Até o próprio "tempo" está estranho. Não se decide se quer ficar no Inverno ou entrar em pleno na Primavera.

Ando de t-shirt durante o dia, mas à noite não dispenso o edredon.

E, malta, há lá coisa mais interessante que falar do tempo num blog de culinária?

Mas tanto tempo fechada acaba com o tema de conversa, com a imaginação.

A não ser a criatividade na cozinha. Essa está fervilhantemente a funcionar, a ver o que fazer com o que tenho na despensa (para não haver excessos nem desperdícios), a fazer contas todas as semanas e a organizar refeições. E a trazer-vos aqui algumas coisas boas que vocês possam fazer aí por casa, com o que tiverem à mão.

Trago-vos aqui mais uma receita com enlatados. Sim, enlatados, eu sei. Não é o ideal mas, em tempos como estes, todos nós temos lá por casa.

Se não tiverem enlatados mas tiverem frescos, melhor ainda! Força!

#150 | Pernas de Frango assadas com ananás

Ingredientes (para 2 pessoas)

. 2 pernas de frango (com coxa)
. 1 pedaço pequeno de alho francês (ou outro legume que tenham lá por casa) em rodelas
. 2 rodelas de ananás em lata ou fresco
. 4 cogumelos laminados enlatados ou frescos (os de paris)
. Ovos mexidos cozinhados (opcional)
. 1 fio de azeite
. Sal
. Pimenta preta
. 1/2 colher de chá de tomilho seco picado

Preparação

1. Desossar as pernas e coxas de frango e temperar com sal e pimenta. Reservar.
2. Pré-aquecer o forno a 180.
3. Numa frigideira com azeite, saltear os cogumelos, alho francês e ananás até dourarem. Temperar com sal, pimenta e tomilho.
4. Adicionar os ovos mexidos e mexer. Reservar.
5. Noutra frigideira com azeite, cozinhar as pernas e coxas dos dois lados, só até ganharem cor.
6. Num tabuleiro de ir ao forno, dispor a carne com os legumes por cima .
7. Levar a assar cerca de 20 minutos ou até a carne estar cozinhada.
8. Servir com arroz agulha e uma salada de tomate e alface (opcional).



A carne, devido a selar na frigideira, tem uma cor bonita e um sabor mais caramelizado, que constrasta muito bem com o sabor suave da carne mais interior.

Como não tem osso, a carne cozinha mais depressa. Se quiserem manter o osso, tenham em atenção que demorará mais tempo, mas a carne ficará ainda mais saborosa.



O ananás vem dar uma doçura que liga tão bem com o frango e com os cogumelos.



O tomilho é uma óptima erva aromática para o frango e cogumelos mas, se não tiverem, podem usar alecrim ou salva. Eu gosto muito.



Este é um óptimo prato de aproveitamentos.

Tirando as pernas e coxas de frango, o resto pode ficar ao vosso critério. Eu dei-vos aqui um fio condutor mas, se tiverem outras coisas a sobrar, usem! Por exemplo, os ovos mexidos entram porque tinham sobrado do jantar anterior.

Não chegava para os dois, por isso aproveitei assim. O mesmo se pode aplicar ao ananás ou aos legumes.

Sejam criativos e não tenham medo de arriscar :)

Sabor de Bolso
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Marta Martins
. Cozinheira de profissão .
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